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Da Primavera Árabe à queda do Nepal: a atuação da geração Z frente aos fenômenos políticos.

  • carinewspuc
  • 13 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

por Grazielli Cunha

Jovem carrega a bandeira do Nepal consigo em protestos no país.
Jovem carrega a bandeira do Nepal consigo em protestos no país.

17 de outubro de 2010, o mundo vivenciava uma das maiores ondas de protestos antigovernamentais da história, a Primavera Àrabe, uma série de movimentos contra ditaduras históricas no Oriente Médio e Norte da África.

A Primavera Árabe não foi um evento isolado, mas a erupção social e política construída ao longo de décadas. As causas que reuniram milhões de manifestantes, do Egito ao Iêmen, podem ser resumidas em três grandes pilares: A crise econômica, o peso do autoritarismo e o papel da mídia social perante a crise histórica, haja visto que pela primeira vez, um fenômeno de protesto através desta tecnologia moderna, atuou como o principal catalisador para a coordenação de manifestações.

O papel da tecnologia, especialmente das mídias sociais, foi um dos aspectos mais notáveis e debatidos da Primavera Árabe, junto com a revolução geracional. As milhões de pessoas que tomaram as ruas, das capitais aos subúrbios, eram predominantemente jovens adultos e estudantes, a primeira geração verdadeiramente nativa digital e que não conheceu outra forma de governo senão a ditadura.

Protestantes sentados em um muro onde se lê "Enfim livres" em Tunis, capital da Tunísia. Os protestos forçaram o presidente Zine al-Abidine Ben Ali a renunciar em janeiro de 2011.
Protestantes sentados em um muro onde se lê "Enfim livres" em Tunis, capital da Tunísia. Os protestos forçaram o presidente Zine al-Abidine Ben Ali a renunciar em janeiro de 2011.

Neste viés, é impossível falar sobre a Primavera Árabe sem destacar o papel da juventude, bem como mencionar a intensa onda de protestos liderados, principalmente pela Geração Z, no Nepal, resultando na queda do primeiro-ministro, K.P. Sharma Oli, no último mês. 

Em setembro de 2025, o país sul asiático, Nepal, conhecido por abrigar parte da Cordilheira do Himalaia e o famoso Monte Everest, se encontrou em chamas, após o incêndio de prédios governamentais e casas de ministros, na capital, Katmandu. O motivo se encontra sob o descaso do governo mediante á problemas sociais, principalmente a pobreza vivenciada pelo país nos últimos anos.

Em uma lente mais profunda, o Nepal vive uma instabilidade política registrada no país há pouco mais de uma década e uma situação socioeconômica agravada, seguindo como um dos países mais pobres da Ásia. Este contraste foi nitidamente percebido através da elite política que ostentava perante a precariedade vivenciada pela maioria da população. Porém, o estopim de fato ocorreu no dia 4 de setembro quando o governo nepalense declarou a proibição de uso das redes sociais, como Facebook, Instagram e YouTube, apontado por muitos, como tentativa de censura.

Os protestos foram maciçamente liderados por jovens, que rapidamente organizaram a mobilização usando plataformas como Discord e Telegram, que se tornaram o ponto chave para o desenvolvimento do movimento e para a disseminação do mesmo, o protagonismo da juventude, especialmente de uma geração que cresceu sob regimes autocráticos, mas imersa no universo digital, transformou a internet em uma ferramenta de resistência, rompendo barreiras geográficas e políticas.

Sob este viés, é possível observar que tanto a primavera Árabe quanto o Nepal demonstram  o poder de mobilização da Geração Z, junto com a presença deste grupo na política moderna, através de redes sociais, uma nova ferramenta tecnológica que vem moldando novas formas de ativismo político na Ásia e em outros lugares do mundo. As redes sociais não apenas amplificam o descontentamento existente, mas também disseminam a informação de forma mais ágil, dando repercussão aos fenômenos políticos atuais.

Em síntese, o caso nepalês representa um novo capítulo do ativismo global da Geração Z, conectando-se historicamente à Primavera Árabe, mas com características próprias de uma era hiperconectada. O que antes dependia de praças e megafones, hoje se propaga em segundos por meio de algoritmos como um testemunho do poder transformador das redes e da juventude que as domina.

 
 
 

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